O lipedema é uma doença inflamatória crônica e progressiva. No entanto, ainda é frequentemente associado a questões estéticas. Porém, especialistas alertam que a condição pode afetar diretamente o sistema musculoesquelético. Como resultado, pacientes podem apresentar dor persistente, limitação funcional e comprometimento das articulações, principalmente nos joelhos.
Segundo o Dr. Marcos Cortelazo, ortopedista especialista em joelho, o lipedema provoca acúmulo anormal de gordura. Esse acúmulo ocorre principalmente nas pernas e quadris. Além disso, ele pode reduzir a amplitude de movimento do joelho. “Enquanto uma pessoa sem lipedema tem uma amplitude de movimento do joelho de até 140°, indivíduos com a condição podem ter essa amplitude reduzida para 90°”, explica.
Lipedema altera a biomecânica do corpo
Quando não tratado, o lipedema pode alterar a biomecânica corporal. Dessa forma, o excesso de tecido adiposo nos membros inferiores sobrecarrega as articulações. Consequentemente, processos degenerativos podem ser acelerados. Isso impacta diretamente a mobilidade e a qualidade de vida das pacientes.
De acordo com o especialista, o excesso de gordura interfere no funcionamento do joelho. “A presença de tecido adiposo em excesso na parte interna da coxa pode causar uma sobrecarga do joelho, pressionando o compartimento medial dessa articulação”, afirma. Além disso, esse aumento de pressão pode acelerar a degeneração da articulação.
Relação entre lipedema e desgaste articular
Com o avanço da doença, o desgaste do joelho pode evoluir. Em alguns casos, pode ser necessária a realização de artroplastia. Esse procedimento consiste na substituição da articulação por prótese. No entanto, o médico alerta para a ordem do tratamento.
“Caso a artroplastia do joelho seja realizada sem o devido tratamento do tecido adiposo, os problemas de mobilidade causados pelo lipedema persistirão e a degeneração da articulação pode continuar a ocorrer”, ressalta.
Cirurgia pode interromper progressão da doença
Nesse cenário, o tratamento cirúrgico do lipedema passa a ter papel relevante. De acordo com a Dra. Heloise Manfrim, cirurgiã plástica, a lipoaspiração pode ajudar no controle da doença. “Em muitos dos casos, a cirurgia para o lipedema é essencial para diminuir a dor e frear o desenvolvimento de problemas que surgem em decorrência desse acúmulo de gordura”, afirma.
Além disso, a cirurgia reduz o volume de tecido adiposo. Com isso, diminui a sobrecarga sobre as articulações. Como consequência, há melhora na amplitude de movimento. Também ocorre melhora nos padrões de marcha e postura.
“A lipoaspiração é realmente interessante para aliviar as dores causadas pelo lipedema e impedir a progressão da doença”, diz a médica. Ela acrescenta que a técnica varia conforme cada caso.
Tratamento exige acompanhamento contínuo
Apesar dos benefícios, a cirurgia não atua de forma isolada. Isso porque o lipedema é uma doença crônica. Segundo a especialista, parte das células adiposas pode permanecer. Dessa forma, ainda existe capacidade de acúmulo de gordura.
Por isso, o tratamento deve incluir acompanhamento clínico. Além disso, é necessário adotar hábitos de vida adequados. “Sabemos que o tratamento cirúrgico com lipoaspiração pode ajudar o paciente, mas deve sempre ser acompanhado do tratamento clínico, conservador”, explica.
Esse tratamento se baseia em quatro pilares. Entre eles estão dieta com padrão anti-inflamatória, atividade física específica, terapia física complexa e protocolos medicamentosos. Além disso, a prática de atividade física também contribui para reduzir a progressão de doenças articulares.
Importância do diagnóstico precoce
Diante desse cenário, especialistas destacam a importância do diagnóstico precoce. Isso porque o tratamento adequado pode preservar as articulações. Além disso, pode manter a mobilidade ao longo dos anos.
“Mais do que aliviar a dor, abordar o lipedema de forma adequada pode significar preservar articulações, manter a mobilidade ao longo dos anos e evitar que limitações funcionais se tornem irreversíveis”, finaliza a Dra. Heloise.





























