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Plataforma reúne ações contra misoginia e discurso Red Pill

Levantamento da Hibou ouviu mais de 1.100 brasileiros em março de 2026

lataforma Red é de Sangue reúne informações sobre misoginia digital e conteúdos Red Pill (Foto: Divulgação)
lataforma Red é de Sangue reúne informações sobre misoginia digital e conteúdos Red Pill (Foto: Divulgação)

Uma pesquisa conduzida pela Hibou Pesquisas e Insights, com exclusividade para a plataforma “Red é de Sangue“, aponta que conteúdos “Red Pill” já aparecem como tema de preocupação entre homens e mulheres no Brasil. O levantamento ouviu mais de 1.100 brasileiros em março de 2026.

De acordo com os dados, mais da metade dos homens brasileiros acredita que conteúdo “Red Pill” configura incitação à violência. Além disso, mais de 60% afirmam ter sido impactados por conteúdos misóginos.

A pesquisa também indica que quase 90% das mulheres e 68% dos homens defendem que o Brasil deveria ter uma legislação específica para criminalizar a misoginia. Portanto, o levantamento mostra uma percepção social sobre a relação entre discurso de ódio, agressividade e violência contra mulheres.

Mais de 60% dos homens já ouviram falar em comunidades ou conteúdos conhecidos como “Red Pill”, “incel” ou semelhantes. Além disso, mais da metade relatou exposição direta a esse tipo de conteúdo.

Redes sociais concentram discursos misóginos, aponta pesquisa

O levantamento também mostra que os brasileiros identificam as redes sociais como ambiente de disseminação da misoginia. Segundo a pesquisa, 75,1% dos brasileiros acreditam que elas têm papel relevante nesse processo. Além disso, 78,1% apontam esses espaços como o principal ambiente desse tipo de discurso.

Entre os homens, 59% afirmam que os conteúdos “Red Pill” contribuem muito para o aumento do desrespeito ou da agressividade contra mulheres.

Segundo Ligia Mello, CSO da Hibou e coordenadora da pesquisa, os dados mostram a presença da misoginia no cotidiano. “Os dados mostram que a misoginia não é um fenômeno marginal, ela está presente nas redes, no cotidiano e nas relações sociais. O ‘Red é de Sangue’ surge justamente para transformar essa consciência em ação coletiva por meio de ferramentas de comunicação e temos muito orgulho em abrir mais frentes de discussão e ação com os dados que coletamos, que demonstram a urgência da pauta de embasar a iniciativa com nossa pesquisa”, afirma.

Plataforma Red é de Sangue reúne educação, denúncia e acolhimento

Os dados embasam o lançamento da plataforma “Red é de Sangue”. A iniciativa foi criada para enfrentar o avanço da misoginia digital e suas consequências sociais.

A plataforma reúne conteúdos informativos baseados em estudos acadêmicos e com mentoria de especialistas. Além disso, usa linguagem acessível para orientar o público sobre misoginia, comunidades “Red Pill” e outras formas de radicalização misógina online.

O projeto também ensina como denunciar conteúdos de ódio. Embora os projetos de lei que criminalizam a misoginia ainda não estejam em vigor, a plataforma explica formas atuais de denúncia. Quando os projetos forem sancionados, as denúncias poderão se basear na Lei da Misoginia.

A iniciativa também conta com um abaixo-assinado. A proposta busca pressionar por rigor e políticas claras em relação à misoginia.

“Construímos um espaço confiável e seguro para concentrar conhecimento e ações possíveis no combate à misoginia e à influência ‘Red Pill’ nas redes sociais”, resume Ana Beatriz Schauff, CEO da FreshPR e idealizadora da iniciativa. “A mídia e grupos que combatem a violência já se mobilizam há tempos, e queremos contribuir para que essa conscientização coletiva chegue ainda mais longe”.

Iniciativa conecta homens e mulheres a grupos de apoio

A plataforma também oferece acesso a iniciativas parceiras de acolhimento psicológico. Entre elas estão o MuRA, Mulheres em Relações Abusivas, a plataforma Homem Autêntico e o MEMOH.

O MuRA oferece terapia em grupo gratuita para mulheres vítimas de violência física ou psicológica. Já o grupo terapêutico “Homem Autêntico” recebe homens que buscam outras formas de lidar com frustrações e relações.

Outra parceria voltada ao público masculino é o MEMOH. A iniciativa promove informação, debates e grupos reflexivos online para homens.

“É muito importante proporcionar esse encaminhamento para homens incomodados com o discurso redpill e o próprio comportamento, notando padrões que não querem mais reproduzir”, descreve Pedro de Figueiredo, fundador do MEMOH. “Os grupos reflexivos do MEMOH são espaços de apoio e troca para homens que pretendem aumentar o repertório, refletir junto e se implicar nessa luta de transformação social”.

Red é de Sangue tem apoio de especialistas e instituições

A plataforma “Red é de Sangue” foi desenvolvida pelo time da Fresh PR. O projeto conta com suporte de professores doutores, psicólogos, sociólogos, mentores, criadores de conteúdo e figuras do cenário político ligadas ao enfrentamento da violência contra a mulher.

Entre os nomes citados estão a Delegada Rosmary Corrêa, criadora da primeira Delegacia da Mulher no Brasil, e Thaís Ferreira, vereadora autora da lei do Dia do Combate à Cultura Incel.

A iniciativa tem apoio institucional da Hibou Pesquisas e Insights, do Sindilegis, da Delegada Rosmary Corrêa e de Thaís Ferreira. Também conta com parcerias de acolhimento e grupos reflexivos com MuRA, MEMOH e Homem Autêntico.

As parcerias de produção de conteúdo incluem Beta Design e Riplay. A redação da plataforma se baseia na leitura de acadêmicos da área de estudos da violência de gênero, misoginia e masculinidade.