
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou, nesta segunda-feira, 4 de maio, a fabricação local da vacina contra a chikungunya do Instituto Butantan. O órgão, ligado à Secretaria de Estado da Saúde, batizou o imunizante de Butantan-Chik.
Com a decisão, a versão brasileira da vacina, desenvolvida em parceria com a farmacêutica franco-austríaca Valneva, está liberada para uso no Brasil. Além disso, o imunizante poderá ser incorporado ao Sistema Único de Saúde. O público-alvo inclui pessoas de 18 a 59 anos.
A vacina da chikungunya já tinha recebido aprovação da Anvisa em abril de 2025. Naquele momento, as fábricas da Valneva constavam como locais registrados de produção. Agora, com o novo parecer do órgão regulatório, o Instituto Butantan passa a figurar como local oficial de fabricação.
Butantan-Chik terá formulação e envase no Brasil
A Butantan-Chik corresponde à mesma vacina já aprovada, mas com formulação e envase no Brasil. Dessa forma, o Instituto Butantan poderá executar parte do processo produtivo em suas fábricas, com a mesma qualidade, segurança e eficácia.
A aprovação também marca uma etapa da transferência de tecnologia entre o Instituto Butantan e a Valneva. Segundo o release, a produção local pode facilitar a incorporação do imunizante ao SUS.
“Mais um marco importante para o Instituto Butantan e para a saúde da população. Ao executar a maior parte do processo de fabricação, o Instituto Butantan, por ser uma instituição pública, poderá entregar a vacina com um preço menor e mais acessível, com a mesma qualidade e segurança”, afirma Esper Kallás, diretor do Instituto Butantan.
Vacina da chikungunya teve avaliação com 4 mil voluntários
A vacina contra chikungunya passou por avaliação com 4 mil voluntários de 18 a 65 anos nos Estados Unidos. De acordo com resultados publicados na The Lancet em 2023, 98,9% dos participantes produziram anticorpos neutralizantes.
O imunizante também apresentou boa tolerância e demonstrou perfil de segurança. Entre os eventos adversos relatados, os principais foram dor de cabeça, dor no corpo, fadiga e febre. Segundo o release, os eventos foram leves e moderados.
Em fevereiro de 2026, o imunizante começou a ser aplicado no SUS em municípios com grande incidência da doença. A aplicação ocorreu a partir de uma estratégia piloto do Ministério da Saúde.
Além do Brasil, a vacina da chikungunya também recebeu aprovação no Canadá, na Europa e no Reino Unido.
Chikungunya teve mais de 127 mil casos no Brasil em 2025
A vacina desenvolvida pelo Butantan e pela Valneva foi a primeira registrada contra a chikungunya no mundo. Em 2025, a doença acometeu cerca de 500 mil pessoas no mundo, segundo a Organização Pan-Americana da Saúde.
No Brasil, o Ministério da Saúde notificou mais de 127 mil casos no mesmo período. Além disso, o país registrou 125 mortes causadas pela doença.
O vírus da chikungunya é transmitido pela picada do mosquito Aedes aegypti. O mesmo mosquito também transmite dengue e Zika.
A doença pode causar febre de início súbito, acima de 38,5°C. Também pode provocar dores intensas nas articulações dos pés e das mãos, como dedos, tornozelos e punhos. Outros sintomas comuns incluem dor de cabeça, dor muscular e manchas vermelhas na pele.
Dor crônica nas articulações pode durar meses ou anos
A principal consequência da infecção é a dor crônica nas articulações. Esse quadro pode durar de meses a anos e afetar a qualidade de vida.
Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte observaram que pessoas com a forma crônica da doença apresentam risco 13 vezes maior de desenvolver depressão. Além disso, elas têm 76 vezes mais chance de apresentar problemas de locomoção.
Nos Estados Unidos, um estudo conduzido com 500 pacientes na Universidade George Washington apontou que uma em cada oito pessoas diagnosticadas com chikungunya teve dor articular persistente por três anos.
Dessa forma, a aprovação da produção local da vacina representa mais uma etapa no enfrentamento da doença. No entanto, o Ministério da Saúde orienta que a população mantenha medidas de prevenção contra o mosquito vetor.
Entre as ações indicadas, estão a eliminação de focos de água parada em pneus, latas e vasos de plantas. Caixas d’água, cisternas e tambores também devem permanecer fechados.




























