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Vacina contra chikungunya entra em análise da Anvisa no Brasil

Produto de dose única usa partículas semelhantes ao vírus e atende pessoas a partir de 12 anos

Eurofarma submeteu à Anvisa o pedido de registro da vacina CHIKV VLP (Foto: Magnific)
Eurofarma submeteu à Anvisa o pedido de registro da vacina CHIKV VLP (Foto: Magnific)

A Eurofarma anunciou uma parceria com a Bavarian Nordic para disponibilizar no Brasil a vacina CHIKV VLP contra chikungunya. A empresa submeteu o pedido de registro do produto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, em junho de 2026.

O pedido inicia o processo de análise que poderá permitir a comercialização e a distribuição da vacina no país. A Eurofarma ficará responsável pela estratégia de acesso ao mercado brasileiro. A companhia também atuará nas etapas de comercialização, acesso e distribuição em todo o território nacional.

O acordo prevê direitos exclusivos de comercialização e distribuição da vacina no Brasil. A parceria também inclui direito de preferência para oportunidades de registro e comercialização em outros países da América Latina onde a Eurofarma atua.

A vacina CHIKV VLP foi desenvolvida pela Bavarian Nordic. O produto já recebeu aprovação para imunização ativa de pessoas a partir de 12 anos nos Estados Unidos, na União Europeia, no Reino Unido, na Suíça e no Canadá. Nesses mercados, a vacina usa o nome comercial VIMKUNYA®.

Eurofarma submete vacina contra chikungunya à Anvisa

A Eurofarma informou que busca ampliar sua presença em áreas relacionadas a doenças de impacto epidemiológico. A empresa aponta a chikungunya como um desafio para a saúde pública no Brasil.

João Siffert, vice-presidente de Inovação na Eurofarma, afirmou que a iniciativa envolve o acesso da população a produtos de saúde voltados à prevenção.

“A introdução da vacina reforça o compromisso da Eurofarma de ampliar o acesso da população a produtos de saúde inovadores, capazes de atender a desafios importantes de saúde pública com eficácia e segurança. A chikungunya segue avançando no Brasil e gerando impacto significativo sobre pacientes, não só durante a infecção inicial, mas também com efeitos crônicos, impactando os pacientes e sistemas de saúde. Esta vacina usa uma tecnologia moderna e amplamente validada, com perfil de segurança favorável e capacidade de induzir resposta imunológica rápida, contribuindo para fortalecer as iniciativas de prevenção da doença”, afirma João Siffert, vice-presidente de Inovação na Eurofarma.

A companhia informou que a vacina poderá atuar como uma ferramenta complementar às ações de vigilância, prevenção e controle da chikungunya no Brasil. A disponibilidade do produto, porém, depende da análise e de uma decisão da Anvisa sobre o pedido de registro.

Como funciona a vacina CHIKV VLP contra chikungunya

A CHIKV VLP é uma vacina recombinante de dose única. O produto usa a tecnologia de partículas semelhantes ao vírus, também chamada de virus-like particles, ou VLP.

A plataforma reproduz a estrutura externa do vírus sem conter seu material genético. Por isso, as partículas não infectam células, não se replicam e não têm potencial para causar a doença, segundo as informações divulgadas pela Eurofarma e pela Bavarian Nordic.

Nos estudos clínicos citados pelas empresas, a vacina induziu anticorpos neutralizantes em adolescentes, adultos e idosos. A resposta imunológica apareceu rapidamente após a vacinação.

A tecnologia VLP combina estímulo imunológico com um mecanismo não infeccioso. A Eurofarma informou que o produto busca ampliar as possibilidades de proteção para pessoas expostas ao risco da doença.

Paul Chaplin, presidente e CEO da Bavarian Nordic, disse que a submissão à Anvisa faz parte da estratégia da empresa para ampliar o acesso à vacina em regiões onde a chikungunya gera impacto recorrente na saúde pública.

“A submissão à Anvisa representa um marco importante em nossa estratégia de ampliar o acesso à nossa vacina contra chikungunya para além dos mercados tradicionalmente associados a viajantes, alcançando regiões onde a doença representa um ônus significativo e recorrente para a saúde pública. Por meio da nossa parceria com a Eurofarma, estamos combinando a inovação global em vacinas com uma sólida expertise local para apoiar o acesso das populações que vivem sob risco de chikungunya. Estamos entusiasmados para trabalhar em estreita colaboração com a Eurofarma e com a Anvisa ao longo de todo o processo de análise”, diz Paul Chaplin, Presidente e CEO da Bavarian Nordic.

Chikungunya registra casos e óbitos no Brasil

A chikungunya foi identificada em mais de 110 países desde sua descoberta, conforme dados da Organização Mundial da Saúde. A doença emergiu em regiões da Ásia, da África, da Europa e das Américas ao longo dos últimos 20 anos.

Em 2025, mais de 490 mil casos de chikungunya e cerca de 200 óbitos foram notificados no mundo, segundo a OMS. No Brasil, o mesmo período registrou quase 130 mil casos e 120 óbitos, de acordo com dados do Ministério da Saúde apresentados no material.

A doença integra o grupo das arboviroses. O material divulgado aponta que a chikungunya pode provocar manifestações musculoesqueléticas persistentes. Essas manifestações podem comprometer a qualidade de vida dos pacientes por um período prolongado.

O Ministério da Saúde reforçou as estratégias nacionais de vigilância, prevenção e resposta às arboviroses por meio do Plano Nacional de Contingência para dengue, chikungunya e zika. O plano reúne ações de monitoramento epidemiológico, prevenção, comunicação em saúde e preparação da rede assistencial.

Vacina pode complementar ações de prevenção

A Eurofarma informou que a entrada de novas vacinas no Brasil pode complementar os esforços de vigilância e controle. A empresa relaciona a medida à redução de casos, complicações e óbitos associados à chikungunya.

A parceria entre Eurofarma e Bavarian Nordic prevê a atuação conjunta durante a análise do pedido junto à Anvisa. A agência avaliará os dados submetidos antes de decidir sobre o registro da CHIKV VLP no Brasil.

Caso a Anvisa aprove o registro, a Eurofarma conduzirá as etapas de comercialização, acesso e distribuição da vacina no país. O produto poderá atender pessoas a partir de 12 anos, seguindo a indicação já aprovada em Estados Unidos, União Europeia, Reino Unido, Suíça e Canadá.