O Conselho Federal de Medicina (CFM) reforçou as proibições do uso do polimetilmetacrilato (PMMA) como substância preenchedora, independentemente da finalidade. A nova resolução entrou em vigor na última semana. A única exceção prevista envolve o tratamento de lipodistrofia facial e corporal em pacientes vivendo com HIV/AIDS, desde que o procedimento ocorra em unidades de assistência de alta complexidade credenciadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A Sociedade Brasileira de Dermatologia – Regional São Paulo (SBD-RESP) também defende o endurecimento regulatório do uso da substância. Segundo a entidade, o PMMA apresenta alto índice de complicações.
PMMA pode causar infecções e necrose
A dermatologista Sylvia Ypiranga afirmou que o PMMA é um material sintético, definitivo e não absorvível pelo organismo.
“Trata-se de um material sintético, definitivo e não absorvível pelo organismo. Entre as complicações associadas ao PMMA estão nódulos, processos inflamatórios, infecções por micobactérias, granulomas, necrose de tecido e até insuficiência renal e risco de morte por hipercalcinose”, disse a médica.
De acordo com a especialista, as reações podem atingir diferentes partes do corpo e exigir tratamentos prolongados. Além disso, o material permanece no organismo, o que dificulta qualquer tentativa de reversão.
Uso do PMMA gera complicações tardias
A dermatologista Elizabeth Senra explicou que o PMMA chegou a ser utilizado como opção de preenchimento estético por apresentar baixo custo e efeito duradouro.
“No entanto, com o avanço da medicina estética e o acúmulo de estudos clínicos ao longo dos anos, ficou evidente que, apesar de inicialmente parecer seguro, o uso do PMMA estava associado a complicações graves e de difícil manejo, muitas vezes tardias e imprevisíveis”, afirmou.
Segundo a médica, as complicações podem surgir anos após a aplicação. Ela destacou que a permanência da substância no organismo representa um dos principais riscos.
“O principal risco está justamente na permanência da substância no organismo, o que impede reversão simples em caso de reação adversa. Em muitos casos, a remoção completa é inviável e as sequelas podem ser permanentes”, alertou.
Ácido hialurônico aparece como alternativa
A SBD-RESP informou que existem alternativas consideradas mais seguras ao PMMA. Entre elas está o ácido hialurônico, substância utilizada em preenchimentos e absorvida pelo organismo.
“O ácido hialurônico, substância mais utilizada em preenchimentos, é absorvido pelo organismo, mas, a depender do ácido hialurônico injetado, pode durar anos na pele”, explicou Dra. Sylvia.
Segundo as especialistas, muitos pacientes desconhecem qual substância foi aplicada durante os procedimentos estéticos. Além disso, parte das pessoas não recebe informações completas sobre riscos e possibilidade de reversão.
“Muitas pessoas acabam vulneráveis emocionalmente e procuram soluções milagrosas sem compreender os riscos reais. Além disso, alguns profissionais ainda vendem o PMMA como algo seguro e definitivo. Mas estética exige previsibilidade, naturalidade e possibilidade de correção. O rosto e o corpo mudam com o tempo. Perdemos gordura, colágeno, sustentação, passamos por alterações hormonais, emagrecimento e envelhecimento natural. O PMMA não acompanha essas mudanças”, disse Dra. Elizabeth Senra.
SBD-RESP orienta pacientes antes de procedimentos
A entidade recomenda que pacientes questionem sempre qual substância será utilizada, quais são os riscos envolvidos, o volume aplicado e a possibilidade de reversão do produto.
A SBD-RESP também orienta que os pacientes verifiquem se o profissional responsável é médico, possui inscrição ativa no Conselho Regional de Medicina (CRM) e conta com Registro de Qualificação de Especialista (RQE) na área relacionada ao procedimento.
“Apesar de médicos regularmente inscritos no CRM poderem realizar procedimentos médicos pela legislação atual, é recomendado optar por especialistas com título pela Sociedade Brasileira de Dermatologia ou pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. A residência médica, seguida da obtenção do RQE, proporciona treinamento técnico, experiência em manejo de complicações e desenvolvimento de pensamento crítico para indicar ou contraindicar procedimentos”, completou Dra. Sylvia Ipiranga.




























