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Geração Z prioriza qualidade de vida nas decisões sobre carreira

Pesquisa com 3.511 jovens aponta equilíbrio pessoal como fator para mudar de emprego

Equilíbrio entre vida pessoal e profissional é citado por 72% na decisão de trocar de emprego (Foto: Magnifc)
Equilíbrio entre vida pessoal e profissional é citado por 72% na decisão de trocar de emprego (Foto: Magnifc)

A busca por qualidade de vida passou a influenciar as decisões profissionais da Geração Z. Uma pesquisa do Espro com 3.511 jovens aprendizes mostra como esse grupo avalia carreira, renda e equilíbrio pessoal. O levantamento ouviu jovens de 14 a 24 anos das cinco regiões do Brasil.

De acordo com a pesquisa, 79% dos participantes citam a independência financeira entre suas principais aspirações profissionais. No entanto, os critérios mudam quando esses jovens consideram uma troca de emprego.

Nesse caso, 72% apontam o equilíbrio entre vida pessoal e profissional como motivo para mudar de trabalho. O índice supera as experiências com viagens, mencionadas por 52%, e os estudos, citados por 42%.

Para a Associação Brasileira de Recursos Humanos de São Paulo (ABRH-SP), os resultados não representam uma contradição. A independência financeira permanece como objetivo. Porém, a qualidade de vida passou a fazer parte das escolhas sobre como alcançar essa meta.

Qualidade de vida influencia permanência da Geração Z no emprego

Segundo a ABRH-SP, salário e oportunidades de crescimento continuam relevantes. Entretanto, esses fatores já não compensam sozinhos ambientes de trabalho marcados por sobrecarga e disponibilidade permanente.

Eliane Aere, presidente da ABRH-SP, afirma que as empresas não devem interpretar esse comportamento como falta de resiliência. Para a entidade, a disposição para trabalhar não mudou necessariamente. Os limites que os jovens aceitam ultrapassar em nome da carreira, porém, passaram por mudanças.

Assim, as empresas enfrentam o desafio de manter resultados e produtividade sem associar comprometimento ao excesso de trabalho.

A ABRH-SP também identifica uma mudança na percepção sobre sucesso profissional. Para gerações anteriores, permanecer durante muitos anos na mesma empresa tinha peso na trajetória. Crescer internamente e demonstrar ampla disponibilidade também funcionavam como sinais de uma carreira bem-sucedida.

Para a Geração Z, entretanto, o conceito também envolve autonomia financeira, tempo, saúde e vida pessoal.

Equilíbrio entre vida pessoal e profissional afeta retenção

Nesse contexto, a qualidade de vida deixa de funcionar apenas como um diferencial de employer branding. O tema passa a fazer parte da decisão dos profissionais sobre permanecer ou não em uma empresa.

Salário e plano de carreira mantêm importância nessa escolha. Porém, segundo a avaliação apresentada pela associação, esses fatores se tornam insuficientes quando a experiência cotidiana de trabalho entra em conflito com as expectativas dos jovens.

Os dados da pesquisa indicam essa mudança de prioridade. Embora 79% busquem independência financeira, 72% consideram o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal na decisão de trocar de emprego.

Empresas podem avaliar produtividade por entregas e prazos

Para a ABRH-SP, as empresas podem começar a responder a esse cenário pela forma como avaliam a produtividade dos colaboradores.

A entidade defende avaliações baseadas em entregas, prioridades e prazos. Dessa forma, a quantidade de horas que um funcionário permanece online ou sua disponibilidade constante para responder a mensagens deixam de funcionar como principais referências de produtividade.

Outro ponto envolve os períodos de alta demanda. Segundo a associação, as empresas devem evitar que essas situações se transformem em rotina.

Horas extras recorrentes e equipes que permanecem sobrecarregadas podem sinalizar problemas relacionados ao dimensionamento das equipes, aos processos internos ou à distribuição das tarefas.

Lideranças têm papel nas políticas de flexibilidade e bem-estar

A preparação das lideranças também integra as medidas apontadas pela ABRH-SP. No cotidiano das empresas, o gestor direto influencia a aplicação das políticas de flexibilidade e bem-estar.

Por isso, a atuação das lideranças pode determinar se essas medidas funcionam na rotina ou permanecem apenas no discurso institucional.

A associação ressalta, no entanto, que flexibilidade não significa ausência de responsabilidades. A autonomia exige organização. Os profissionais também precisam cumprir os acordos estabelecidos. Além disso, as avaliações de desempenho continuam fazendo parte da relação de trabalho.

“Uma gestão saudável não elimina metas nem responsabilidades; ela cria condições para que as pessoas entreguem resultados de forma sustentável, com clareza sobre o que a empresa espera e sobre como o trabalho deve ser estruturado”, afirma Eliane.

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